segunda-feira, 3 de agosto de 2009

da infância... que tive



Quando eu fui criança - e como fui -, pisei com os pés espalmados no chão de terra, às vezes barro. Muitas vezes barro.

Brinquei com meus carrinhos e quebrei algumas bonecas da minha irmã. Brinquei com meus primos e os cachorros da rua. Brinquei de roda. Brinquei com as pedras da rua. Fiz careta.

Machuquei-me, quebrei as pernas. Machuquei os outros. Caí, levantei... caí de novo. Comi um pouco de terra.
Fiz castelinhos de areia. Pulei nas poças d'água. Tomei banho de chuva. Me fantasiei. Acreditei no Papai Noel, no coelhinho da Páscoa, na Terra do Nunca...

Quando eu fui criança, li e ouvi histórias. Convivi com a minha família e me perdi algumas vezes. Vivi e repeti alguns ditados. Aprendi com os mais velhos e lhes tomei as bençãos.

Encontrei tesouros enterrados. Fui bicado por galinhas dando-lhes milho e emitindo sons estranhos (prrrruuu). Pesquei. Reclamei dos pernilongos.

Quando eu fui criança, tive pesadelos. Fiz xixi na cama. Comi pudim, doce de leite, doce de mamão, doce de abóbora, doce de cidra, doce de laranja da terra. Plantei e subi em várias árvores.


Andei em pelo a cavalo. Tomei leite no curral. Comi amora no meio do mato. Nadei no córrego. Escorreguei no morro com folha seca de coco.

Peguei bichinho de pelúcia na "maquininha". Corri empurrando carrinho de supermercado. Ri dos adultos. Ri do meu reflexo no espelho. Ri da minha sombra. Ri dos meus amigos. Ri do bezerrinho nascendo, caindo e levantando amparado pela cabeça da mãe.

Quando eu fui criança, vomitei no carro no meio do caminho. Me afoguei na piscina de plástico azul. Corri depois de apertar a campainha do vizinho.

Masquei 5 chicletes ao mesmo tempo. Me lambuzei de chocolate. Reclamei do alface na comida. Enchi o arroz de ketchup.

Tive namoradinhas. E sapinho.

Comi bolo das minhas festas e roubei brigadeiro antes dos parabéns nas festas dos outros. Irritei meus pais soprando apitos de plástico e olhos de sogra.

Quando eu fui e quando minha geração foi criança, genèricamente (entendam o acento grave como lembrete do arcaico), vivemos como não se viveu nunca mais nas posteriores infâncias.



Espero que meus filhos possam pelo menos tomar suco de laranja com acerola colhidas no quintal pra prevení-los de gripe.

5 comentários:

Mari disse...

"Me afoguei na piscina de plástico azul." juro que eu queria muuuuuito ter visto isso! hahahaha =]

Mari disse...

A infância!.. Nada como aprender a crescer de uma jeito tão mágico e surpreendente! Lutar contra dragões e salvar princesas, comer terra caindo no chão, como você mesmo disse! hahaha.. Coisas que estão ficando esquecidas de verdade... que pena.. Mas acho que podemos dar um jeito nisso, basta passarmos isso pros nossos filhos! E vindo de você, Fer, acho que você vai saber bem ensinar seus filhos a criar um mundo só deles, que tudo é real! Relaxa! Ainda há uma galerinha a salvo! =]

Márcio Becker disse...

Caramba, juro que esse texto me comoveu!
Lembrei legal da minha infância agora, que teve muito mais lembraças que sua infância! *.*

Se eu não tivesse falando contigo no MSN, acho que me comovia mais. :P

Parabéénss! =D


ILY

Monique disse...

Quando eu era pequena (ainda mais), deixava uma frestinha na janela antes de ir dormir, tinha certeza de que um dia Peter Pan viria me buscar. Não veio. Mas, isso não me impediu de guardar em mim a criança que fui, de tê-la comigo para sempre.

Fico realmente feliz que tenha gostado do meu blog! Volte sempre que quiser :D

sascha disse...

Quando criança eu cai da cama, pus uma colher com danoninho no video k-7, fugi de casa(umas 4 vezes...), fiquei pendurada de cabeça pra baixo numa árvore... sobre arame farpado(:P), quebrei meu dente 9 vezes, comi carambola, jamelão e jabuticaba no pé, briguei com minha prima, brinquei de pique-esconde numa floresta de jaqueiras e jacas maduras e vi, com meus próprios olhos o Coelhinho da Páscoa.

Espero que no futuro ainda existam jabuticabeiras, no mínimo!

Adorei minha infância, mesmo com os castigos e chineladas. Adorei a sua também.
See you. MtA