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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Blog Nota 10.



Eu mergulho e não é ilusão (...) quando volto com a fronte coroada de sargaço e sal. Caetano Veloso.


Um muitíssimo obrigado à querida Cristina do blog Sei lá sabe... pelo meu segundo selo:



The rules:

-Responder às perguntas:
1) Um filme? Como se fosse a primeira vez.
2) Uma música? Saudade de Chumbo - O Teatro Mágico
3) Uma frase? Faz da tua vida mesquinha um poema. - Cora Coralina.

-Indicar 5 blogs merecedores:
QUASE TUDO QUASE NADA
ENTRADA PARA RAROS.
ENQUANTO VOCÊ...
.
e SEI LÁ SABE..., pela reciprocidade da admiração.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Imperativo: lembranças, sensações!



No mesmo endereço, ainda sem hora marcada e com algumas alterações na embalagem, 2010 começa - com uma re-estreia apressada e tardia - aqui no o que não se escreve.
O visual repaginado vem juntar a fome com a vontade de comer: fomos preteridos por culpa do vestibular, além do ano novo.
Época de repensar issos e aquilos, de mudar, de começar a dieta...
Vejam qual atrasado estou, o carnaval já é quase agora!

Este ano, para mim, representa muitos fins e muitos inícios. É uma etapa divisória de uma vida que contrasta-se pouco mais ou menos como Ariel e Caliban. E que mais eu poderia querer senão que alguma coisa permanecesse intacta?!
Não importa-me nunca quão longe eu vá; aqui, encontrarei sempre alguém disposto a me ouvir e com algo a dizer. Aqui: nessa pequena parte de mim que tornei pública, que absorve e dá, num trânsito infindo das mais diversas minúcias emocionais. Aqui, onde sempre hei de voltar.

domingo, 15 de novembro de 2009

-



Reitero minhas aliterações e retifico o que não estava certo. E ratifico que não passo de uma metáfora boba.
Recomeço e componho e remo contra a corrente. Concorrente. Sem correntes.
Livre, leve e leve e leve me leve o vento leve. O vento breve. Limpar a neve. Calor no norte.
Corrosivos combustíveis cerebrais largados pelos cantos. Remissivos. Divinatórios.
Digestivos comestíveis mastigados molarmente. Molemente. Deliberadamente.
Inerente. Extrínseco. Aos redores. Permeio a sanidade, escalando a linha tênue - e horizontal - que a separa do que instauro.
Denotativos. Subjetivos. Oxímoros austeros. Merecidos protestos. Batalhados elogios.
Reflexivos. Integrantes. Oblíquas corcovas seladas, cavalgadas e enviadas. Desvios igualmente corcovantes.
Indistintamente. Inenarravelmente. Inesgotavelmente. Inesperadamente. Extracorpóreo.
Sem começo ou fim. Sem medalhas. Sem largada. Linhas corridas. Letras deitadas. Pontos sorridos. Senso engolido.
Já degluti, sem ressentir-nos, esses sentidos tão sugestivos, tão efusivos, tão ignóbeis.
Corro escondido. E quando tropeço, caio aqui: a reinventar uma costura que já dura meia dúzia de meses, meio dos meses de um ano.


Agradeço a cada um que já passou por aqui e registrou seu sentimento "inescrevível" a respeito dos temas e abordagens que escolho. E o farei aos tantos outros que virão[espero].
Obrigado! até...^^

-feя.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

bem-me-quer?



_Sobre o amor?!
_Sim.
_Bom, sobre o amor, tenho mesmo muito o que falar!...

...Não sei se a cota ou o prazo de certos clichês já foram esgotados. Um dos que acho que nunca será tão usado que tenha que deixar de sê-lo é aquele velho, sobre "quebrar o coração".

Um aviso: respeite as noções de simetria quando tiver que quebrar o coração de alguém, tentando deixar as beiradas o mais lisas que lhe for possível. Não é agradável quando as lágrimas espetam naqueles cacos disformes e pontiagudos. Dói tanto...

Meu coração dói agora. Mas, sinto dizer, é uma dor que quase não sinto. Talvez por já ter me acostumado a sentir dores semelhantes; talvez por estar desistindo de tentar achar a cola certa pra esses pedaços vermelhos e ensanguetados que se esvaem de mim a cada passo que passo, pisando-os, às vezes, mesmo sem querer. Alguns, que não caem, se jogam no meu suco gástrico e são mais machucados. Sim, eles se jogam.

Entenda que eu não preciso de uma metade ideal. Disso, já desisti faz tempo. Agora, quero só quem preencha o vazio das partes digeridas e das roubadas. Basta-me que se reestabeleça a coesão entre os pedaços.

Nas várias últimas vezes que achei ter encontrado algo com certa serventia, meus dias - chuvosos que fossem - eram tão quentes e alegres que eu mal podia me conter, mesmo chatos, mesmo madrugados.

Deve ser muito fácil, imagino, isso de preencher vazios (em se tratando dos meus vazios), porque, afinal, qualquer pessoa que seja capaz de me roubar um beijo e me fazer carinhos que se pareçam cócegas, me fazendo rir enquanto me mata de prazer, consegue. Abuso, sim, das palavras. Elas são meu único ponto de encontro comigo. Além delas, não me sei. E o mundo não me sabe - e nem quer.

Tão fácil como dar um doce a uma criança. Devo ser mesmo bem menos maduro do que, vez ou outra, chego a pensar. Devo ser uma criança, já com algumas dores de dentes nascendo, mas ainda macia e fértil, capaz de brotar algo de bom, ou qualquer erva daninha.

Ouvi, numa hora um pouco inoportuna, no rádio, aquela música que deve ser assim ou algo parecido: "Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace". É assim que funciono: abre-me um sorriso e... e abre todo o resto que se precisaria trancar. Todas as portas, os portões, muralhas, armadilhas, alarmes e canhões... Tenho essa mania de me desarmar por pouco - um abraço, um sorriso, o calor de um cheiro no pescoço. O meu amor é bem menos complicado e contraditório que o de Camões, mas bem menos doce e ingênuo que o das crianças. Ele é só um intermédio indefinível, que me faz padecer por saber que, nos assuntos referentes ao coração, sou frágil como qualquer margarida que enfeita uma horta nos fundos da casa. Mas já passa da hora de eu deixar de me iludir e aprender que sempre acabo em mal-me-queres.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"brincando entre os campos das nossas ideias..."




É de se pensar em escrever sobre a rotina de vestibulando, mas isso já é tão entediante todos os dias. Quase claustrofóbico. Quase enjoado de tudo, falo sobre as borboletas.




As lagartas, tão frágeis, nascem e ficam por ali, rondando as folhas. Comendo seus pedaços, das beiradas para o meio. Tentando crescer. Se desenvolver. Quando suficientemente alimentadas do que é para elas o que a ambrosia era para os heróis mitológicos, deitam-se consigo e esperam. Esperam até a hora certa para sair. Esperam presas num casulo que fazem por si próprias, onde querem permanecer; no seu regaço íntimo, sem interferências, sem nada.



Mais intrigantes que as lagartas, são os seres em que elas se transformam. Antes, uma forma desjeitosa e agressiva; agora, tudo é leve e colorido. Tudo é lindo e encantador. É ao que as lagartas aspiram a vida toda: criar asas de todas as cores do arco-íris, todos os tons da imaginação e flutuar pelos jardins de flores e aromas, sem limites.



Seríamos nós também assim?



O ser humano quer demais e às vezes não se basta comer, comer e comer. Não é tendo tudo que se alcança o que realmente quer. É necessário ter-se às vezes, e a mais nada.




Mesmo depois de tanto tempo em função da metamorfose supradescrita, a realização das borboletas, às vezes, não dura sequer um dia inteiro. Mas isso não as impede de tentar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

vingt-trois septembre



Aniversário...
O que dizer sobre?
Acho que não há nada melhor do que receber aquele abraço gostoso, apertado, que você esperou o ano inteiro.
Os presentes, mesmo quando não são exatamente o que a gente quer, são tão perfeitos.
E os elásticos dos chapéus, que incomodam agarrados no pescoço, nem se fazem notar quando os balões colorem a festa.
Eu tô tentando me arrancar alguma coisa sobre o meu dia de hoje; sobre os meus 17 anos; sobre o que eu espero viver e sobre tudo de bom que eu já vivi. Mas tá difícil...
Eu não vou citar nomes porque são muitos, mas há pessoas a quem eu gostaria de agradecer por estarem na minha vida, por fazerem parte de mim. Não atribuo minha felicidade a nenhuma delas, de fato; mas seria mais difícil ficar bem sem tê-las por perto.
Parabéns pra mim!
Parabéns pra todos nós!
Estejamos bem... ^^

sábado, 19 de setembro de 2009

in Out



Eu costumo vir aqui reclamar das minhas tantas dúvidas e decisões.

Pra [não] variar, é delas que falo agora:


É difícil decidir o que quero fazer durante toda a minha vida; é difícil! Mas eu não vou me trancar naquele universo e ponto. Pelo contrário: tem-se que ser flexível.

Às vezes me perguntam, por isso agora fica uma resposta universal: farei engenharia, o que, portanto, não tem nada a ver com o blog em que nos encontramos; mas isso não muda nada além da frequência dos textos.

"Um tanto quanto ausente" (moça do Luar). É assim que vou.

Ma[i]s, um tanto mais feliz! e resoluto.

até...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Hoje, falo sobre o álcool.



Perdoem-me as pessoas que bebem, mas nem o cigarro - que me irrita desde sempre - consegue superar a repugnância que sinto atualmente pelo álcool.

Não é, na verdade, o álcool nem as pessoas que bebem. O meu problema real é com esse cenário esdrúxulo que se compõe.

Citem - possíveis leitores - uma situação em que pessoas que utilizam o referido saiam para comemorar alguma coisa e voltem pra casa felizes e sem uma gota dele. Não existe!

Pessoas que bebem não só não aproveitam nada como atrapalham os seres decentes que querem aproveitar com seus copos de bebidas alcoólicas e fedidas e cuspindo enquanto falam e, ou riem demais, ou choram demais.

Com as drogas ilícitas eu nem me incomodo. O tráfico realmente representa um problema em larga escala, mas eu admito que, se tivesse, me arriscaria com elas, preterindo de qualquer forma o álcool.

Álcool fede e, se me permitem a observação sem base científica que seja de meu conhecimento, destrói sinapses - e neurônios.

Digam o que disserem, isto é, sim, verdade irrefutável para mim: quem bebe é alcoólatra. E, hoje, pessoas que são felizes com sua convicção de sóbrias são raríssimas.

De forma mais sucinta, quero dizer que não me agrada ver como uma enorme quantidade de pessoas, nowadays, usam e abusam dessa droga que representa problemas relevantes e irreversíveis à saúde e, infelizmente, nenhum à vida social. Muito pelo contrário. Notem como boa parte dos lugares coletivos interessantes estimula o consumo do álcool e como o fazem também boa parte dos círculos de amigos.

domingo, 6 de setembro de 2009

Sob a luz de um anoitecer dominical



Em busca de sonhos, divagando, tentando avançar realidades ou me livrar delas... Tomando atitudes utópicas, mesmo que muito bonitas com relação ao meu futuro, acabei por escorregar.

Felizmente agora eu já vi que os finos trilhos da vida só nos dão espaço pra um passo de cada vez. E que seja bem dado.

Firme. Coerente.

Indecisão: coisa que - quase - não existe mais.

Deu lugar à determinação. E à felicidade.







Determinação de um Rei de Ouros; o "Diamante Bruto".

Disfarçada e disfarçando a

Felicidade dos que veem um curinga, um palhaço, um pierrot.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sensação que não preciso intitular



No fim do inverno - frio e seco -, é bom poder ver o sol. Bom mesmo! Mesmo para quem, como eu, não gosta dele.

É bom sentir seu calor e ver sua luz que, de tão forte, parece invulnerável... e contagiosa.

É bom. Parece que o vento venta mais feliz; com mais vontade de ventar. E as cores?! Não gosto de cores também, mas é inegável: elas alegram.

Sobretudo, em fins de inverno, começam as chuvas.

Não dar-me-ei o trabalho de explicar o quanto é bom que volte a chover. Essa chuva que fertiliza e reflete aquilo que chamei de contagioso. Basta que você tome um banho de chuva e ficaremos entendidos.

Atente, no fim, para o arco-íris.
A natureza é [mesmo] mágica!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"havemos de amanhecer"



Engraçado como é difícil tomar decisões.

Eu gostaria que as minhas fossem efervescentes...






No título, um verso de um poema de Drummond.

domingo, 23 de agosto de 2009

Era uma vez de verdade



Dia desses, andando na rua com minha tia, passamos na padaria.
Ela queria comprar alguns biscoitos caseiros porque recebería(mos) visitas em sua casa.
Comprou três pacotes e manifestou clara preferência por um deles: o das rosquinhas de nata.
Minutos depois, quando atravessávamos a rua, um homem - que não aparentava menos que sessenta anos -, vestido em parcos farrapos, passou ao nosso lado. Suponho que o saco de papelão equilibrado a custo em suas costas estava pesado.
Então, ouvi a voz da minha tia:

_Moço?!
Ele a olhou, entre surpreso e assustado, e ela continuou:

_O senhor gosta de rosquinhas de nata?
E lhe estendeu a mão que sustentava a sacola.
Num sorriso, dizia "aproveite bem, tenha um bom dia"; e, numa lágrima, lamentava por se sentir tão incapaz de fazer mais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Certeza que não sei



Tudo o mais que escrevo aqui já se cansou de ser escrito. Falta criatividade? Falta inspiração? Falta talento.

A maioria das pessoas já não me motiva mais. As pessoas não têm se motivado muito.

Na esperança de arrancar-me - mesmo que a força - algumas palavras, imaginei a possibilidade de escrever algo sobre mim: eu e só.

Seria isso narcisismo ou independência? Tanto faz. Eu tenho tido muitas dúvidas.

Eu tenho tido muitos problemas. Tenho tido muitas tarefas. Tenho tido muito a decidir.

Eu tenho tido muitas rimas sem sentido. Tenho tido muito em que pensar. Tenho tido muitas ausências.

Ausências de resoluções e de tempo livre em que eu me sinta realmente livre. Ausências. Talvez de algumas pessoas que me inspirassem mais. Ou alguém, só...




- é que no subúrbio do meu coração tem uma casa vazia pra alugar, mas só aceito um inquilino permanente; que queira seguir por um caminho à sombra de árvores de outono e trilhado por flores e aromas primaveris. Caminho este que começa na porta dos fundos da tal casa e encerra-se na parte mais alta do castelo mais nobre desse reino, talvez desconhecido, cá em mim -





...Ausências de narcisismo e de independência.
Ausências que não sei. Certezas que não tenho.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ensaios III - Em fim



Não condeno os hábitos dessa sociedade...
Só não os quero pra mim.

E vou na contramão, mesmo sem perceber...
Um dia, encontro um desvio...
Ou batemos de frente.

sábado, 15 de agosto de 2009

Terra... a prazo



Nunca entendi bem o funcionamento das embarcações.

Confundo proa e popa e não descobri ainda o que são bombordo e estibordo.

Desconheço a forma correta de dispor mastros e velas, remos e canhões, marinheiros e funções.

O chapéu, a luneta, a perna de pau, o tapa olho e o gancho, bem como o pássaro no ombro, não me são mais que acessórios irrelevantes; sou incapaz de perceber por que o capitão precisa deles.

Mesmo a simplicidade da âncora me é difícil processar.

Das embarcações e da vida, só o que sei é que, mesmo nas maiores tempestades, todo o esforço é pouco - e a pena vale pra não afundar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Dia dos Pais


Eu pensei em tentar falar sobre o meu pai...
Eu pensei em tentar falar, de forma geral, sobre pais...
Eu pensei, pensei...
E concluí que, no meu primeiro dia dos pais aqui com vocês, nada mais justo que falar sobre O Pai: Deus - é o que dizem, pelo menos.

Minha relação com (a) divindade(s) não é nada exemplar e chega, de fato, a ser das piores. Não vou ser hipócrita, mas não garanto toda a verdade.

Minha família é católica e eu frequentei a igreja até uma certa idade. Aos poucos, minha consciência crítica - a qual uns chamariam, nesse caso, de demônio, lúcifer ou seja lá o que for - começou a me alertar sobre certas práticas que não me inspiravam confiança e muito menos devoção.
Eu poderia e vou falar dos dogmas e das contradições, mas não agora. A princípio, indaguei sobre o dinheiro. Agora, pensemos nas religiões genericamente.
Um deus que se sobrepõe a tudo, que teria criado o mundo, não precisaria do dinheiro mortal pra nada. O que faria ele com alguma moedas?
Depois comecei a ouvir falar seriamente no Opus Dei, a tal seita secreta da igreja, pra qual alguns fecham os olhos, mas que todos já sabemos que existe.
Um deus que se sobrepõe a tudo, que teria criado o homem, não precisaria que este último se provasse inferior a ele demonstrando dor e sofrimento. Tão pouco precisaria de tais tributos como forma de redenção de pecados. Menos ainda como forma de adoração. O que faria ele com alguns gritos e gotas de sangue?

Eu penso que um deus não é um deus por criar ou não, por mandar ou não. O meu Deus - agora em maiúscula - é superior a todos esses.


Ele perdoa por gostar dos filhos, não precisa de provações e autoflagelações.
Ele dá sem precisar de nada em troca, talvez um sorriso ou o esboço de um.
Ele é maior, e é mais forte. Ele não faz filhos por moldes de barro; os faz dentro de si, com o coração, compartilhando nutrientes, emoções, experiências...
Ele não é e nem precisa ser melhor que o seu, só é diferente em certos aspectos, que o tornam melhor pra mim.
Mais um deles: meu Deus não é uma chama vermelha no canto de um altar, Ele é a vida em mim; Ele não habita templos e não precisa de rezas e cantorias, Ele vive dentro de mim e vive por um beijo de boa noite antes de deitar ou uma boa conversa nas manhãs ensolaradas.
Meu Deus, ao contrário do que dizem e ao contrário dessa data, não é nem nunca foi Pai: Meu Deus é Mãe!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

da infância... que tive



Quando eu fui criança - e como fui -, pisei com os pés espalmados no chão de terra, às vezes barro. Muitas vezes barro.

Brinquei com meus carrinhos e quebrei algumas bonecas da minha irmã. Brinquei com meus primos e os cachorros da rua. Brinquei de roda. Brinquei com as pedras da rua. Fiz careta.

Machuquei-me, quebrei as pernas. Machuquei os outros. Caí, levantei... caí de novo. Comi um pouco de terra.
Fiz castelinhos de areia. Pulei nas poças d'água. Tomei banho de chuva. Me fantasiei. Acreditei no Papai Noel, no coelhinho da Páscoa, na Terra do Nunca...

Quando eu fui criança, li e ouvi histórias. Convivi com a minha família e me perdi algumas vezes. Vivi e repeti alguns ditados. Aprendi com os mais velhos e lhes tomei as bençãos.

Encontrei tesouros enterrados. Fui bicado por galinhas dando-lhes milho e emitindo sons estranhos (prrrruuu). Pesquei. Reclamei dos pernilongos.

Quando eu fui criança, tive pesadelos. Fiz xixi na cama. Comi pudim, doce de leite, doce de mamão, doce de abóbora, doce de cidra, doce de laranja da terra. Plantei e subi em várias árvores.


Andei em pelo a cavalo. Tomei leite no curral. Comi amora no meio do mato. Nadei no córrego. Escorreguei no morro com folha seca de coco.

Peguei bichinho de pelúcia na "maquininha". Corri empurrando carrinho de supermercado. Ri dos adultos. Ri do meu reflexo no espelho. Ri da minha sombra. Ri dos meus amigos. Ri do bezerrinho nascendo, caindo e levantando amparado pela cabeça da mãe.

Quando eu fui criança, vomitei no carro no meio do caminho. Me afoguei na piscina de plástico azul. Corri depois de apertar a campainha do vizinho.

Masquei 5 chicletes ao mesmo tempo. Me lambuzei de chocolate. Reclamei do alface na comida. Enchi o arroz de ketchup.

Tive namoradinhas. E sapinho.

Comi bolo das minhas festas e roubei brigadeiro antes dos parabéns nas festas dos outros. Irritei meus pais soprando apitos de plástico e olhos de sogra.

Quando eu fui e quando minha geração foi criança, genèricamente (entendam o acento grave como lembrete do arcaico), vivemos como não se viveu nunca mais nas posteriores infâncias.



Espero que meus filhos possam pelo menos tomar suco de laranja com acerola colhidas no quintal pra prevení-los de gripe.

domingo, 5 de julho de 2009

inconstâncias e consequências de uma manhã dominical



Pensando sobre a minha motivação para escrever, eu entendi que ela não existe. Já dizia António Lobo Antunes, não é a minha mão que escreve; são as palavras que se jogam no papel.

De fato: quando bem entendem, as palavras saltam de súbito de dentro de mim e eu me sinto mero instrumento; espectador do meu próprio trabalho, que não tem razão nem direção. Depois que se inicia, para quando cessam as palavras, não quando eu acho que já escrevi o suficiente.

Quando escrevo, sinto um prazer exorcizante, como se todos os monstros, os duendes e os bosques de árvores falantes ganhassem vida no papel. Escrever não é mais que parir. Parir experiências e esperanças.

Ainda citando Lobo Antunes, escrever é uma corrente que começou muito antes e vai terminar muito depois de você; boa parte do que eu quero escrever, geralmente, já foi escrito. O que as palavras formam no papel, vez ou outra, é-me conhecido, mas é diferente. Clichês repintados com as cores de minha preferência... ou as que pedirem pra serem usadas naquela hora.

Eu escrevo por mera distração de mim, sem saber que quando o faço é a meu próprio fundo que vou. Minhas aspirações e angústias, pedidos e perdões, amores e rancores: nada além de mim, mas de uma forma incontida e despreocupada com escrúpulos.

Eu escrevo para desabafar e para afagar os cabelos das mocinhas que guardo no alto das torres imaginárias, já que os cavaleiros nem sempre as salvam.

Escrevo mesmo o que eu não teria coragem de fazer ou dizer. E o que eu teria, mas...

Em verdade e em fim, escrevo repetições e restrições que não existem; escrevo-as sentindo-as. E se você me acha difícil de compreender, saiba que a culpa é minha: porque eu escrevo o que não se escreve.

domingo, 21 de junho de 2009

Observações fúteis sobre uma vida desmerecida



Pergunta-se: Quem é você?

Difícil?

Não acho.

Eu sei quem sou, sei o que eu quero. Negar isso seria mentir.Difícil sim pode ser responder à pergunta.

Eu bem me sei, mas não posso informar senão de forma subjetiva, pois seria muito fácil ter nas mãos todas as informações necessárias para o total conhecimento de uma pessoa.Seria muito simples, muito vago.

Quem sou eu?

Um pseudônimo de mim.

Uma edição não publicada das coisas que me fazem feliz.

Um reflexo em preto e branco, procurando um anteparo colorido onde se projetar pra, talvez, ganhar vida.

Procurando a verdade, o conhecimento, as cores que me faltam.Não que eu precise de alguém ou alguma coisa. Mas viver com um peixe pode se tornar difícil um dia.

Preciso não de uma pessoa perfeita - eu também não o sou -, mas de uma pessoa disposta a crescer comigo.

Não quero nada pronto, quero poder fazer os talhos da madeira e cortar minhas mãos às vezes. Bem como não quero a satisfação plena dos desejos, Quero alguns realizados, mas quero, sobretudo, a motivação pra tantos outros.

Quero poder um dia, quando olhar pra trás, não me arrepender dos detalhes, porque esses sim constróem uma vida.

Penso nos inúmeros erros que cometi, nas pessoas que magoei, nos momentos que perdi, nas alegrias que não me permiti ter e a única coisa que me vem é o quanto eu aprendi com isso.

O quanto eu cresci.

Mas ainda assim é preciso que me conheça, que tire suas conclusões, corretas ou não.

É preciso que haja surpresa. É nela que reside a graça.

Somos todos estranhos. Estranhos ímpares. E nesse teatro de fantoches, só as nossas próprias mãos podem nos controlar.

sábado, 13 de junho de 2009

Só mais um



Minha crença?

Creio nas pessoas. Na melhora delas. Na melhora nas atitudes delas.

Creio nos erros. Na gravidade deles. Na capacidade que eles têm de ensinar.

Creio nos sentimentos. No reconhecimento destes. Na força que têm quando (se) permitem.

Creio na junção de coisas boas. Nas coisas boas. No bem.

Creio no poder e no dever. Na responsabilidade. Na possibilidade.

Creio na idealização do saber. No saber idealizar. No saber.

Creio na capacidade, na possibilidade, no bem.

Creio simplesmente.

Creio porque não creio que as coisas vão melhorar. Mas creio.

Crenças... Sentenças.

Minha sentença?

Aquele cujos erros são os piores não pode julgar ninguém além de si mesmo.

Sentencio que não devo sentenciar. Não devo crer. Não devo criar. Recriar. Recrear.

Minha crença. Minha sentença.

Minha doença: criar.

Meu recreio: sorrir.




Agradecimentos à modelo internacionalmente conhecida e, acima de tudo, minha amiga, Mariana Lemos, que gentilmente cedeu sua foto para abrilhantar o blog. Brigado, Melry! ^^