domingo, 20 de junho de 2010

Lost In My Dreams.



Ainda que determinantes de uma loucura primeira, essas minhas esperanças me inibem a vontade paulatina de arriscar o suicídio. Devoto cada momento mísero da minha vida - igualmente mísera - à realização desses desejos impossíveis e é assim que, distraído, perco-me do que seria o certo e o errado, perco-me do que antes fora-me mais importante do que propriamente realizar algo.

Não que eu fique completamente alienado quanto ao suicídio, só esqueço-me por um momento do que me levara a desejá-lo, distraio-me, como disse, ensejando mais a vida que sua ausência. Coagulo o sangue que jorra das minhas feridas sempre reabertas e conjecturo novas aspirações. Quero ser piloto!, eu disse certa vez, Para voar, ser livre e ter o mundo todo sob os meus olhos. Aviões eram perigosos demais para mim, exitei e decidi me ocupar com afazeres mais seguros, foi assim que virei escritor, não me informaram, porém, que isso era em absoluto mais assustador e perigoso para pessoas com personalidade como a minha. Escrever exige uma sobriedade de si tão grande que não posso abster-me de viajar dentro de mim e isso me traz uma urgência esquecida de imergir na terra, escrever é mergulhar no desconhecido oceano de ser com intensidade inenarrável, é, sobretudo, ter que enfrentar a verdade sobre o que é real face a face, quando sua vontade é fugir exatamente da realidade de ser.

Ainda que determinantes de uma loucura primeira, essas minhas esperanças me permitem esboçar uma constância desconhecida na instabilidade da minha vida. Eu espero me encontrar no profundo dessas águas, no conforto dessas mãos calorosas, no encanto desses sorrisos brancos, no que me apraz, em mim. Perco-me do meu desejo de perder-me para ver se me encontro, escrevo para obrigar-me a isso.

3 comentários:

Paulo Vitor ("Pavê") disse...

Queria muito poder dizer palavras de conforto, mas o que posso verdadeiramente fazer é dizer-te que compartilho dos mesmos sentimentos. Maldita sina. Mas posso dizer, com pelo menos um sincero sorriso, que tens a minha companhia para um abraço, um desabafo, ou um simples conforto por dizer: aqui você tem alguém que gosta de você. A vida vale a pena por isso, por termos perto da gente pessoas que nos admiram. E são essas pessoas que nos farão seguir e ir atrás do que ainda dolorosamente não conseguimos. Ah, belo texto, parabéns!

Camila Andrade disse...

Oi querido, passando pra marcar presença ...

Beijos

Monique Burigo Marin disse...

Ana é sempre a mesma. Do começo ao fim. E vice-versa.
Nesse mundo sempre novo precisamos nos reinventar.
Ótimo texto!