domingo, 5 de julho de 2009

inconstâncias e consequências de uma manhã dominical



Pensando sobre a minha motivação para escrever, eu entendi que ela não existe. Já dizia António Lobo Antunes, não é a minha mão que escreve; são as palavras que se jogam no papel.

De fato: quando bem entendem, as palavras saltam de súbito de dentro de mim e eu me sinto mero instrumento; espectador do meu próprio trabalho, que não tem razão nem direção. Depois que se inicia, para quando cessam as palavras, não quando eu acho que já escrevi o suficiente.

Quando escrevo, sinto um prazer exorcizante, como se todos os monstros, os duendes e os bosques de árvores falantes ganhassem vida no papel. Escrever não é mais que parir. Parir experiências e esperanças.

Ainda citando Lobo Antunes, escrever é uma corrente que começou muito antes e vai terminar muito depois de você; boa parte do que eu quero escrever, geralmente, já foi escrito. O que as palavras formam no papel, vez ou outra, é-me conhecido, mas é diferente. Clichês repintados com as cores de minha preferência... ou as que pedirem pra serem usadas naquela hora.

Eu escrevo por mera distração de mim, sem saber que quando o faço é a meu próprio fundo que vou. Minhas aspirações e angústias, pedidos e perdões, amores e rancores: nada além de mim, mas de uma forma incontida e despreocupada com escrúpulos.

Eu escrevo para desabafar e para afagar os cabelos das mocinhas que guardo no alto das torres imaginárias, já que os cavaleiros nem sempre as salvam.

Escrevo mesmo o que eu não teria coragem de fazer ou dizer. E o que eu teria, mas...

Em verdade e em fim, escrevo repetições e restrições que não existem; escrevo-as sentindo-as. E se você me acha difícil de compreender, saiba que a culpa é minha: porque eu escrevo o que não se escreve.

5 comentários:

Luar disse...

O que posso dizer?

Belo!

Escrever faz libertarmos os bichos que vivem em nós.
Alívio.

=)

Márcio Becker disse...

Imagine se você tivesse motivação para escrever! ¬¬


Só li essa parte! ;P
kkkkkkkkkkkkkkkk'


ILY!

Danilo Lovisi disse...

Poxa, Nando. Que texto incrivelmente bem escrito!

E ainda citando Lobo Antunes, ui!

"E se você me acha difícil de compreender, saiba que a culpa é minha: porque eu escrevo o que não se escreve."

Uma vez você comentou comigo que um(a) amigo(a) seu dizia que seus finais eram incríveis. E, de fato, ele estava totalmete certo. (Y)

Luar disse...

Viu? Não é somente eu quem gosta de ler seus textos!!!!

[spam de resposta...]
Olá!

Que bom ve-lo por aqui novamente!

Que história é essa de carapuça? Deixa de falsa modéstia! E quanto a não ter direito de comentar? Deixa disso!

Exponha seu ponto de vista sempre que quiser! Aqui é o lugar onde exponho o que penso e abro espaço para que pessoas como você se acheguem e exponham também "seus olhares"! Não tem necessariamente que concordar ou discordar! Sou aberta ao diálogo (rss...).

Quanto ao seu blog, gosto de ler as coisas que escreve! E não tem que se preocupar com esse "substancial" ao qual você se refere! Porque nem sempre 'casa cheia' significa 'bons frequentadores' (deu para entender?). Acho que escreve bem! E não me refiro apenas ao português! Que bom que esteja aprendendo com ele!

Eu quando criei o meu foi muito mais na vontade de expor o que antes guardava comigo em pensamentos. E estou gostando da experiência.

Agora fui eu quem estendeu demais!

Volte quantas vezes quiser! Será sempre bem vindo!

Parabéns pelo seu blog! Pelos seus textos! Continue em seu caminho! Verá quão boa é a experiência!

;)

Mari disse...

Obrigada por escrever e encantar com seus textos! Esse seu mundinho criado no papel é incrível! =]